MULHER & SONHO

MULHER  & SONHO
SER MULHER ...SEMPRE!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

A IDOSA




Vinte anos atrás, eu ganhava a vida
como motorista de táxi.Encontrei pessoas cujas vidas surpreenderam-me,
enobreceram-me,fizeram-me rir e chorar.Nenhuma tocou-me mais do que a de uma
velhinha que eu peguei tarde danoite, era Agosto.Eu havia recebido uma chamada
de um pequeno prédio de tijolinhos, dequatro andares, em uma rua tranqüila de um
subúrbio da cidade.Quando eu cheguei às 2:30 da madrugada, o prédio estava
escuro, comexceção de uma única lâmpada acesa numa janela do térreo.Assim, fui
até a porta e bati."Um minuto", respondeu uma voz débil e idosa.Uma octogenária
pequenina apareceu.Ao seu lado havia uma pequena valise de nylon.Toda a mobília
estava coberta por lençóis.Não havia relógios, roupas ou utensílios sobre os
móveis.Eu peguei a mala e caminhei vagarosamente para o meio-fio, ela
ficouagradecendo minha ajuda.Quando embarcamos, ela deu-me o endereço e pediu
:-- O Senhor poderia ir pelo centro da cidade ?-- Não é o trajeto mais curto,
alertei-a prontamente.-- Eu não me importo. Não estou com pressa, pois meu
destino é um asilode velhos.Eu olhei pelo retrovisor.Os olhos da velhinha
estavam marejados, brilhando.-- Eu não tenho mais família, continuou. O médico
diz que tenho poucotempo.Eu, disfarçadamente, desliguei o taxímetro e perguntei
:-- Qual o caminho que a Senhora deseja que eu tome ?Nas duas horas seguintes,
nós dirigimos pela cidade.Ela mostrou-me o edifício que havia, em certa ocasião,
trabalhado comoascensorista.Nós passamos pelas cercanias em que ela e o esposo
tinham vivido comorecém-casados; em outro, hoje um depósito de móveis, que havia
sido umgrande salão de dança que ela freqüentara quando mocinha.De vez em
quando, pedia-me para dirigir vagarosamente em frente a umedifício ou esquina -
ficava então com os olhos fixos na escuridão,sem dizer nada.Quando o primeiro
raio de sol surgiu no horizonte, ela disse derepente:-- Eu estou cansada. Vamos
agora!Viajamos, então, em silêncio, para o endereço que ela havia me
dado.Chegamos a uma casa de repouso.Dois atendentes caminharam até o táxi, assim
que ele parou.Eu abri a mala do carro e levei a pequena valise para a porta.A
senhora já estava sentada em uma cadeira de rodas.-- Quanto lhe devo? ela
perguntou, pegando a bolsa.-- Nada, respondi.-- Você tem que ganhar a vida, meu
jovem.-- Há outros passageiros, respondi.Quase sem pensar, eu curvei-me e
dei-lhe um abraço.Ela me envolveu comovidamente.-- Você deu a esta velhinha bons
momentos dealegria. Obrigada.Apertei sua mão e caminhei no lusco-fusco da
alvorada.Atrás de mim uma porta foi fechada.Era o som do término de uma vida.Ao
relembrar, não creio que eu jamais tenha feito algomais importante na minha
vida.Nós estamos condicionados a pensar que nossas vidas giramem torno de
grandes momentos.Todavia, os pequenos momentos freqüentemente nos
pegamdesprevenidos e ficam maravilhosamente guardados emrecantos que os outros
podem considerar sem importância."AS PESSOAS PODEM NÃO LEMBRAR EXATAMENTE O QUE
VOCÊ FEZ,OU O QUE VOCÊ DISSE, MAS ELAS SEMPRE LEMBRARÃO DE COMOVOCÊ AS FEZ
SENTIR".Colaboração: Renato Antunes Oliveira

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